quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Inacabado (01)

...

Era um dia comum, café um tanto gelado, pães com gosto de nada e aquela leve vontade que o fazia pensar nela. De verdade já nem sabia que dia era, tinha passado a noite estudando e agora sofria antecipadamente pela infelicidade que seria seu dia.

Cegamente comeu e arrumou-se, era mais um dia que ele teria que da o melhor de si. E se como se não bastante a luta por um sonho de ter algo melhor na vida, ainda havia um pensamento que não se dissipava e o consumia vorazmente, qualquer coisa parecia ser o fim de tudo, todo problema parecia ser indecifrável e cada conquista tinha um gosto amargo de ter sido incompleta.

Ele se sentia ás vezes tão próximo dela que poderia jurar que naquele momento estavam pensando em algum lugar onde pudessem ser felizes juntos.

E aquele sorriso brilhante, aquela vontade engraçada de viver, aquele prazer em sonhar, que contrastava tanto com o que ele sentia, o encantava. Era como ver o nascimento de uma flor que lentamente esparramava seus longos fios dourados rumo ao chão.

Hipnotizado,perdido e agora?

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É um daqueles textos que eu nunca acabei...
mas que seja ele uma parte de um todo
que nunca se revelará
pela sua impossibilidade de existir.

E se existir é assim tão impossível
talvez seja melhor ser o boneco de madeira
do que o menino que pode sentir.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Texto (?)

...


"Se é que me queres, me toma me estraçalhe, me devore, me degluta e por fim cuspa todo o meu resto. Espero que deixe aquela porta do fundo da casa aberta, para que a noite eu lhe faça o café, arrume sua casa e junte os meus pedacinhos que você regurgitou. Eles ainda me são importante."


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Será que eu já escrevi isso? Por que sinto que escrevi isso em alguma lugar alguma vez em algum dia?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre alguém que nada vale.

…



Ela tinha passado dias tristes a pensar como se vingar de uma pessoa que a tanto fez mal e em tão pouco tempo. Ela não poderia fazer qualquer coisa, deveria jogar o mesmo jogo dele, por isso deveria mostrar o tanto que aprendeu,sabia que aquele coração de gelo não se afetaria por qualquer coisa. Ele não era igual a qualquer outro que ela poderia se vingar como qualquer outra mulher faria.

Ela pegou um papel e ainda soluçando lágrimas e escrevendo fortemente, como só escreveria quem tem muita raiva, rabiscou um texto em três partes, era como se fosse um aviso para todas as outras que viessem a se aproximar dele.

I: Primeiramente ele vem todo doce, lhe ganha muito fácil. São palavras tão hipnotizantes, que pode até parecer real, é tão natural que é assustador. Como uma valsa, você vai dançando num mundo tão belo que ninguém mais poderia lhe oferecer e vai esquecendo, quando nota está totalmente vendida.

Ele começa a fazer parte de sua vida, rouba todo seu tempo, prende todos seus pensamentos e sempre que procurá-lo estará com aquele sorriso doce e uma cara de que tudo é melhor por que você existe.

E como num filme de mocinho, ele se torna o vilão, te prende e é nesse momento que você vai conhecer o fim de tudo.  E todo o amor gratuito vira birra e puro amor próprio.

II: E como aquele ato que muda toda a tragédia grega começa o ato 2. E aquela criatura fofinha agora é seu pior pesadelo.

Aquela vontade de viver some, ele se torna triste, melancólico e introspectivo. Passa a ter um ar um tanto macabro e tão misterioso que você passa a tentar saber o que passa na mente dele.

Então é de repente que ele some, lhe trata como a qualquer outra, passa a ser super sincero, destrói todos seus sonhos.

E todos aqueles mundos prometidos? Desaparecem, agora é nada.

Você se sente tão mal que tem vontade de chorar, se estressa, se esperneia, tenta fugir de tudo, tenta sumir.

Por mais que queira o convívio se torna insuportável, ele agora está tão distante.

III: Por fim você foge, bate o portão e fica com aquela impressão que já está indo tarde. Um dia vocês se reencontram, se procuram, se acham e convivem tão bem que volta a ser tudo um tanto confuso.

Como no ato final que o vilão morre, ele também é obliterado da sua vida.

Esqueça ele, não vale à pena.

Enrolou isso em volta de uma pedra e atirou numa manhã no quarto dele, estraçalhando o vidro. O sol rapidamente iluminará o quarto e um tanto cego ele acorda e ainda viu o vulto da moça que passava.

Ele não fazia a mínima ideia de quem era, mas leu o que tinha sido enviado de modo tão singelo. Escreveu em várias cópias e enviou para todas as destinatárias que ele já teria, quase sem querer, iludido.

Tinha escrito apenas:

Minhas desculpas.
Perdão...
Minhas desculpas ,sorte...