sábado, 4 de setembro de 2010

Fim

Toc, Toc…

Porque eu não levanto?
-Vai! Levanta, seu inútil! Abre a porta e resolve seus problemas...

Mas a cama é tão boa. Ficar deitado olhando para o teto que gira ao meu redor e resolvendo todos os meus problemas de um modo que eles nunca se solucionariam. E é tão boa a preguiça e fingir que o resto do mundo não existe. Passaria a eternidade aqui...

Trim, Trim, Trim...

Por que eu não atendo?
-Vai, seu imprestável! Atende ao telefone. Pode ser importante...

Mas por que eu atenderia? Ficar aqui no chão tocando violão me evita conseqüências e tudo que eu queria agora é que o tempo voasse e o amanhã chegasse, e depois viria o depois de amanhã e assim sucessivamente na velocidade da luz e em breve estaria tudo acabado.

Tarssio!!! Tarssio!!! Tarssio!!!

Por que eu não respondo?
-Vai seu inapto, inválido! Responde...

Mas a TV é tão segura, tão obediente e o mundo lá fora é medonho. Prefiro ficar aqui sentado, engordando, desaprendendo, quero mais saber de você não, vida.

Blem! Blem! Blem!

Mas uma vez eu estou deitado, fim de tudo...

I am just lazy...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Em casa

...

Sabe quando uma pessoa está perdida dentro de si? E até na maior calmaria de um monótono dia de domingo a gente se sente num caos de dia anterior a feriado? O pior é que agente espera o fim - e este não existe.

Era assim que o homem da historia se sentia. Perdido dentro de um bosque daqueles de histórias infantis. Corria desesperadamente e sempre se encontrava em lugar nenhum. Quando se sentiu cansado sentou num rochedo que ficava exatamente no centro de uma clareira e acabou adormecendo.

Sonhou com um casebre. Era um lugar muito humilde, mas havia nele uma imponente escada. Varias vezes tentou subi-la e descê-la, em muitas tentativas rolou escada abaixo. Também havia uma bananeira, um quintal e um sorriso com gosto de amor nos quatro cantos da casa.

Por hora resolveu sair desta, encontrou uma rua e uma laranjeira. Laranjeira que representava a doação para o bem do próximo e quando pensou em retirar uma fruta ganhou um sorriso satisfeito da bela e nobre árvore. Na rua os garotos jogavam o esporte dos malandros. E todos imitavam a malicia de um negro torto que enganava como os brancos e dançava como os seus ancestrais que viajaram n quilômetros para maldar e trazer beleza para o “soccer” dos ingleses.

Foi nesse momento que lembrou as aventuras nas vielas. Os amores, as descobertas e os aprendizados. Não pode deixar de relembrar as varias decepções e quantas vezes se sentiu mal por ter saído de casa.

E caminhando pôde ver a escola que esquentou. Conseguia ver uma fabrica de Robot’s e um grande pânico: Vestibular. Mesmo assim via a pureza de algumas meninas que contrastava com a malícia de algumas um pouco mais letradas.

E como era belo o despertar daquelas pessoas para o amor ou para o próprio contato físico. Elas iam se conhecendo, se amando e aquela fábrica de humanóides parecia agora, com uma grande festa em celebração a vida.

Quando acordou sentiu-se um pouco em casa. Estava no inicio de uma longa escada e agora sabia como subi-la. Não que ele não fosse cair em algum momento, mas levantaria e subiria novamente.

Sentia ainda falta daquele sorriso com gosto de amor, aliás, nem lembrava mais dele. Tinha a lembrança de sorrisos encantados, satisfeitos, maliciosos, pedintes... Estava a procura de um brilho no olhar, de um belo rosto e daquela carinha tão instigante que só uma mulher sem jeito tem. Era isso que ele elegera como um lar e agora não era tão menos miserável que um sem-teto.

Por sorte a encontraria em algum ponto da escada e juntos subiriam alguns degraus e seriam tão banais e ridículos como dois bonequinhos de mãos dadas subindo a vida.


Mas seriam felizes... Alguma hora seria feliz...