segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Epitafio

Sentava na varanda de sua casa com sua mulher. Abraçados, olhavam o céu, ainda azul e com algumas poucas nuvens cortando-o. Moravam em uma área mais afastada da cidade, mais verde e calma, afastada do barulho e da rotina do desenvolvimento, uma área perfeita para um casal de idosos, ele com seus 88 anos, ela próxima dos 84. Infelizmente, o sossego vinha com seu preço. Moravam longe dos filhos e dos netos. Não tinham a mesma disposição física de antigamente para fazer constantes visitas, e os filhos não tinham a disposição do tempo para tal. Se viam pouco e já estavam acostumados com isso. Faziam planos para os feriados três meses antes. Eram felizes assim. Recordavam-se de momentos felizes em suas vidas. Enquanto que a maioria lembraria-se de coisas como o casamento, o nascimento dos filhos ou a viagem para a Inglaterra, eles lembravam dos tempos de juventude, antes de casar, onde nada mais importava a não ser ver um ao outro, sentir um ao outro. Eram diferentes da maioria. O céu agora aos poucos tornava-se laranja. As nuvens se dissipavam ao vento. Ambos não tinham mais nada os prendendo nessa vida, exceto um ao outro. Sabiam que não tinham mais tanto tempo vivos. Ela, apesar de ansiosa, não tinha medo, sentia os braços de seu marido envolvendo-a e isso a confortava.
Ele a abraçava forte, esperando protegê-la do que fosse. O vermelho-sangue tomava o céu agora. Olharam-se nos olhos e disseram juras de amor. Algumas lágrimas escorriam dos olhos dela, embora ela sorrisse o sorriso mais bonito de sua vida. Ele limpou o rosto dela com as costas dos dedos e beijou-a suavemente. Seus olhos fechados para o beijo e para o mundo. Nada mais importava. Juntos, era como se fossem um. Olharam novamente para o céu, seu vermelho cada vez mais escuro. Ela encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos.

Ele permaneceu de olhos abertos, não queria ir antes dela. Não tinha medo de ir, mas tinha medo de deixá-la sozinha. Agora que ela tinha seus olhos fechados, ele chorou suas lágrimas também. Lágrimas de felicidade. Sentia que este final tornava sua vida mais do que perfeita. Ele sentiu que ela já não mais respirava e baixou a cabeça. Não sentia tristeza apesar disso. Estava contente por estar com ela neste momento. Encostou o rosto no topo da sua cabeça e fechou também os olhos. Ele sempre teve uma dúvida a respeito da existência de um Céu, mas sentia que encontraria a mulher que amava novamente, e isso pra ele era o paraíso.

Respirou uma última vez nesse mundo e partiu para encontrá-la. O céu agora era escuro. A lua nova brilhava fraca no topo e o céu parecia ter mais estrelas essa noite.



Feito por Felipe

Está sem PC acaba minha criatividade

Um comentário:

  1. Pooooorra.. Isso foi Koio foi???
    Chorei velho sem brincadeira fico lindo. Um dia terei um amor assim também. Párabens!!

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